quarta-feira, 19 de julho de 2017

ESPELHO, ESPELHO MEU!!!

Espelho, Espelho Meu...

Quando a madrasta-bruxa da Branca de Neve pergunta ao espelho: “Espelho, espelho meu, existe alguém mais bela do que eu?”, o que está em jogo não é apenas a vaidade e a inveja, como revela o clássico conto de fada compilado pelos irmãos Grimm, mas a possibilidade de saber de si através da imagem, é o olhar e o que ele pode revelar sobre a identidade de quem está refletido. É a partir dessa ideia que consideramos o espelho um objeto fundamental que deve estar presente no espaço do berçário.
A ideia de olhar a imagem refletida, parece uma ideia simples, mas em se tratando de crianças pequenas, mais especificamente de bebês, poder se reconhecer na imagem refletida pelo espelho é resultado de um processo complexo.
No início de seu desenvolvimento, o bebê encontra-se num estado de dispersão e de indiferenciação, e se percebe como que fundido ao outro. Aos poucos, nas diferentes relações que vão estabelecendo, primeiro com a mãe e depois com outros que vão entrando na sua história e fazendo parte de seu contexto social, inicia-se o processo de diferenciação. Segundo Henri Wallon essa é a etapa da formação do eu corporal, que ocorre no primeiro ano de vida. Nessa fase, os bebês miram fixamente para o reflexo no espelho, com a curiosidade de quem olha e se admira, intrigado e pesquisador.
A etapa seguinte se refere à junção do corpo tal como sentido pelo bebê à sua imagem tal como vista pelos outros. O desenrolar desse processo pode ser acompanhado pelas reações do bebê diante do espelho: leva um tempo até que reconheça como sua a imagem refletida.
Não é raro vermos uma criança no primeiro ano de vida intrigada com o seu reflexo no espelho, tentando tocar sua imagem ou aproximar-se dela como quem chega perto de outra pessoa. Essa imagem refletida ainda não é percebida como própria. É aí que entra a função do espelho no ambiente da sala do Berçário.
O espelho se oferece como elemento importante na construção da identidade. Por meio das brincadeiras que faz em frente a ele, a criança começa a reconhecer sua imagem e as características físicas que integram a sua pessoa. Pensando nisso colocamos na nossa sala um espelho grande o suficiente para que várias crianças possam se ver de corpo inteiro e brincar em frente a ele.
Ao olhar no espelho a criança estranha, reconhece, indaga, pesquisa, apropria-se, surpreende-se, fascina-se. Portanto procuramos fazer a instalação do mesmo onde o espelho ficasse acessível a todas as crianças, de quem engatinha, dos que andam e já procuram sua imagem, mesmo dos que ainda não se locomovem sozinhos, mas podem ficar na frente do espelho sentadinhos se observando. Olhar para o espelho e ver a própria imagem, ver o outro e o ambiente da sala com oportunidade para experimentar ângulos diferentes do mesmo olhar.
Para Maria Montessori o espaço dos pequenos deve ser estruturado de acordo com a ótica da criança e não do adulto, de forma que ela circule livremente explorando as coisas que estão ao seu alcance. O ambiente deve ser pensado de forma minimalista e funcional, assim a barra de apoio vem para ajudar o bebê a desenvolver a marcha sem depender da ajuda dos adultos. Nela a criança aprende a levantar-se e a dar os primeiros passos com apoio, para depois andar de forma livre e independente.

Mas essas vivências só estão sendo possíveis pois contamos com a doação do espelho, bem como ganhamos a sua instalação. Aproveitamos a oportunidade para agradecer a Família da Agente em Atividade de Educação Kalliny pela doação, bem como agradecemos a Família da Eduarda que nos deu a instalação. Esse gesto nos permite vivenciar momentos de muitas alegrias repleto de muitas descobertas.






















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